Ibama autoriza Petrobras a perfurar mais três poços na Margem Equatorial

 Novas perfurações serão realizadas em águas ultraprofundas do Amapá e podem ajudar a definir se descoberta de petróleo é comercialmente viável

Redação CTN - 05/09/2026 | 15:00

REUTERS/Ricardo Moraes


O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) autorizou a Petrobras a perfurar mais três poços exploratórios na Margem Equatorial, em águas ultraprofundas na costa do Amapá. A autorização consta em um documento visto pela Reuters nesta sexta-feira (4).

A medida representa mais um avanço na estratégia da Petrobras de explorar petróleo na região, considerada uma das principais fronteiras exploratórias da companhia. As novas perfurações são importantes para avaliar o potencial da recente descoberta de petróleo feita pela empresa e determinar se a área apresenta viabilidade comercial.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou a descoberta no mês passado. Dias depois, durante uma visita ao Amapá, classificou o petróleo encontrado na região como um "passaporte para o futuro deste país".

A exploração da Margem Equatorial, entretanto, provoca divergências dentro do próprio governo. De um lado, estão as preocupações relacionadas aos possíveis impactos ambientais em uma área próxima à Amazônia. Do outro, a Petrobras defende a necessidade de ampliar suas reservas e encontrar novas áreas produtoras.

Caso a descoberta seja considerada comercialmente viável, a produção de petróleo na região poderá começar em aproximadamente sete anos, segundo uma estimativa apresentada anteriormente pela presidente da Petrobras, Magda Chambriard.

A Margem Equatorial brasileira possui características geológicas semelhantes às áreas exploradas na costa da Guiana, onde a ExxonMobil desenvolve grandes campos de petróleo. No Brasil, a Petrobras considera a região uma de suas fronteiras de exploração com maior potencial.

Condições estabelecidas pelo Ibama

A decisão do Ibama foi assinada na quinta-feira (3) pelo diretor-geral do órgão, Jair Schmitt. A autorização determina que a Petrobras apresente um cronograma atualizado das perfurações no prazo de 30 dias após receber a licença.

O documento também estabelece condições para a manutenção da autorização, incluindo a atualização da análise dos riscos ambientais relacionados ao projeto.

A exploração na região já enfrentou episódios que aumentaram a preocupação de comunidades locais. No início deste ano, houve um vazamento de fluido durante a perfuração do primeiro poço, situação que provocou questionamentos sobre os possíveis impactos de uma expansão da atividade petrolífera no Amapá.

O debate envolve especialmente povos indígenas e grupos ligados à proteção ambiental, que alertam para os riscos de uma eventual expansão da indústria do petróleo em uma região ainda amplamente coberta pela floresta amazônica.