Operação Mão Dupla mira empresa contratada para obra de hospital em Coronel Sapucaia
Gaeco investiga suspeitas de fraudes em contratos milionários e irregularidades em licitações públicas
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| (Foto: Divulgação, SES-MS) |
Quase dois anos após a primeira fase da Operação Pretense, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, por meio do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado, voltou a atuar nesta terça-feira 31 em Coronel Sapucaia com a deflagração da Operação Mão Dupla. A nova etapa tem como alvo um grupo empresarial suspeito de envolvimento em fraudes em contratos públicos.
Entre as empresas investigadas está a A D M Construtora, contratada em 2024 para a construção do novo hospital do município, que substituiria o Hospital Municipal Aparício Vidal Garcia. Para a obra, o Governo do Estado repassou 9,1 milhões de reais.
Apesar do investimento, o contrato, firmado em junho de 2022, venceu em junho de 2025 sem que a construção fosse concluída. Desde 2020, a empresa já faturou mais de 15 milhões de reais em contratos públicos.
Atualmente, a construtora mantém um contrato vigente com a prefeitura, referente à reforma da Escola Municipal Fernando de Souza Romanini. Inicialmente orçado em 1,3 milhão de reais, o valor foi atualizado para 2 milhões após renovação do termo por mais 12 meses, com vigência até junho de 2026.
Nesta fase da operação, foram cumpridos 23 mandados de busca e apreensão, além de 13 medidas cautelares, como proibição de acesso à prefeitura, impedimento de contato entre investigados e uso de tornozeleira eletrônica. Também foram executados dois mandados de busca pessoal e dois de afastamento de funções públicas nas cidades de Amambai, Ponta Porã e Caarapó.
As investigações apontam suspeitas de crimes como fraude em licitações, peculato, corrupção passiva e pagamentos irregulares em contratos, envolvendo agentes políticos, secretários municipais, servidores públicos e empresários da região.
Na primeira fase da operação, realizada em dezembro de 2024, o Gaeco já havia identificado irregularidades graves, incluindo a contratação de empresa que não possuía sede, patrimônio ou funcionários, mesmo assim responsável por obras públicas.
À época, o município era administrado pelo então prefeito Rudi Paetzold. Em 2025, a prefeita Niágara Kraievski assumiu o cargo.
O nome “Mão Dupla” faz referência a uma expressão que, segundo os investigadores, era utilizada nas negociações ilegais: “Você me ajuda que eu te ajudo”.
O caso segue sob investigação e novas fases da operação não estão descartadas.
