Anvisa autoriza uso de medicamento experimental para tratar Lito Sousa
Influenciador será o primeiro paciente a receber o ALN-6457, que ainda não iniciou estudos clínicos para a doença em humanos
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, nesta sexta-feira (4), a importação e o uso excepcional de um medicamento experimental para o tratamento do influenciador Lito Sousa, diagnosticado com a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ).
O medicamento, chamado ALN-6457, ainda está em uma fase anterior ao desenvolvimento clínico e não possui estudos clínicos formalmente iniciados para o tratamento da doença em seres humanos. Com a autorização excepcional, Lito será o primeiro paciente a receber a substância.
O pedido foi feito pelo Hospital Israelita Albert Einstein, onde Lito realiza o acompanhamento médico. A instituição solicitou à Anvisa a autorização para o uso individual do medicamento, que será importado por pessoa física.
Segundo a agência, o influenciador foi aceito em um programa de uso compassivo oferecido por uma empresa estrangeira. A autorização levou em consideração a evolução rápida, irreversível e potencialmente fatal da doença, além da inexistência de um patrocinador ou representante responsável pelo medicamento no Brasil.
Após a autorização, a importação do ALN-6457 deverá ser realizada pela equipe responsável pelo paciente.
Diagnóstico de Lito Sousa
O diagnóstico de Lito foi confirmado e divulgado pela esposa dele, a empresária Mila Seidl, em 21 de agosto, após semanas de investigação neurológica em São Paulo.
De acordo com a família, o influenciador apresenta perda progressiva dos movimentos corporais, mas permanece lúcido. Ele recebeu alta hospitalar e atualmente segue o tratamento em regime de atendimento domiciliar.
Antes da autorização do medicamento, Lito havia publicado um vídeo nas redes sociais em que fazia um apelo para conseguir participar de algum estudo experimental relacionado à doença.
Doença de Creutzfeldt-Jakob
A doença de Creutzfeldt-Jakob é uma condição neurológica rara e grave marcada pela rápida progressão dos sintomas. Ela faz parte do grupo das doenças priônicas, provocadas por alterações anormais em proteínas presentes no cérebro.
A DCJ pode causar inicialmente alterações cognitivas, como perda de memória, dificuldades de linguagem e comprometimento da capacidade de planejar e executar atividades cotidianas. Com a progressão do quadro, podem surgir outros comprometimentos neurológicos e motores.
A doença está relacionada à presença de príons, proteínas anormais altamente resistentes aos métodos convencionais de desinfecção.
Atualmente, não existe tratamento capaz de interromper ou reverter a evolução da doença. Por isso, após a confirmação do diagnóstico, o acompanhamento médico costuma incluir cuidados paliativos e medidas voltadas ao conforto e à qualidade de vida do paciente.
