AGU tenta costurar trégua entre PF e André Mendonça em crise do caso INSS
Enquanto Polícia Federal pressiona por recurso contra decisão do ministro do STF, Jorge Messias defende solução negociada nos bastidores para evitar escalada institucional
Redação CTN - 26/08/2026 | 07:00
![]() |
| Reprodução |
A crise aberta entre a Polícia Federal e o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça ganhou um mediador oficial. O advogado-geral da União, Jorge Messias, tem defendido dentro do governo que o caminho para encerrar o atrito não é o confronto jurídico, mas o estreitamento do diálogo nos bastidores para chegar a um acordo entre as duas partes.
A posição de Messias contrasta com o que defende a cúpula da PF. Há mais de um mês, a corporação procurou a AGU para que a Advocacia-Geral recorra da decisão de Mendonça no inquérito que apura fraudes bilionárias em descontos indevidos do INSS - a Operação Sem Desconto.
Na decisão, o ministro determinou o compartilhamento dos dados brutos da investigação, incluindo a íntegra das quebras de sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula, e da lobista Roberta Luchsinger. A ordem também proíbe mudanças na equipe de investigação sem aviso prévio ao gabinete do relator.
Para o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e para os 27 superintendentes da corporação, que chegaram a divulgar nota pública, a medida representa uma violação à autonomia investigativa da Polícia Federal. O desejo da PF era que a AGU encontrasse um argumento jurídico para rebater a determinação de que todos os atos da apuração sejam imediatamente juntados ao processo que tramita no STF, sem passar por departamentos internos como a Coordenação-Geral de Repressão à Corrupção.
O chefe da AGU, no entanto, avalia que um recurso judicial pode acirrar ainda mais a crise institucional e tem apostado na conciliação. Na última quinta-feira (6), Messias conseguiu reunir no Palácio do Planalto o próprio André Mendonça e o ministro da Justiça, para tentar reduzir as tensões.
O atrito tem origem na condução do caso INSS. Segundo apuração da CNN, um dos motivos de irritação do ministro foi a demora de mais de sete meses da PF para enviar os dados das quebras de sigilo de Lulinha, determinadas ainda em dezembro do ano passado. A troca da coordenação responsável pela apuração também foi vista como um gesto de insubordinação pelo gabinete do ministro.
Nos bastidores, a cúpula da PF avalia que o diálogo articulado pela AGU só terá efeito prático se resultar na revisão das decisões de Mendonça. Enquanto isso, a AGU mantém a estratégia de evitar um choque direto entre uma instituição de Estado e um ministro da Corte Suprema.
Tags:
Política
