Bombardeio contra guerrilha na Amazônia colombiana deixa ao menos 10 mortos

 Entre as vítimas estão três menores de idade; organizações de direitos humanos alertam para os riscos de operações militares em áreas onde crianças são recrutadas por grupos armados

Redação CTN - 01/09/2026 | 11:07

Raul ARBOLEDA/AFP

Um bombardeio realizado pelo Exército colombiano contra uma dissidência das Farc deixou ao menos 10 pessoas mortas no departamento de Guaviare, no sul da Colômbia. Entre as vítimas estão três menores de idade.

O ataque ocorreu na madrugada de quinta-feira (27) e é considerado o bombardeio mais letal ordenado pelo governo colombiano desde a posse do atual presidente, em 7 de agosto. Segundo o Instituto Médico Legal, nove dos corpos já foram identificados.

O Ministério da Defesa informou que dois dos menores mortos tinham 15 e 16 anos. As vítimas faziam parte de uma dissidência das Farc que rejeitou o acordo de paz firmado em 2016, que desarmou grande parte da antiga guerrilha.

O governo defendeu a operação e afirmou que grupos armados que recrutam menores para atuar como combatentes devem ser responsabilizados. O presidente também declarou apoio às ações militares contra organizações classificadas pelo governo como grupos narcoterroristas.

Novo bombardeio é anunciado

O governo colombiano também informou sobre um terceiro bombardeio realizado na mesma região contra outra dissidência das Farc, comandada por Iván Mordisco, considerado um dos principais líderes guerrilheiros do país.

Segundo o presidente, oito integrantes do grupo foram mortos na nova operação. Até o momento, não foi informado se havia menores entre as vítimas.

Dados da Defensoria do Povo mostram que 428 casos de recrutamento de menores por grupos armados foram registrados na Colômbia em 2025. Neste ano, até 31 de julho, já haviam sido contabilizados 97 casos.

Organizações de defesa dos direitos humanos demonstram preocupação com o uso de bombardeios em regiões onde crianças e adolescentes são recrutados por grupos armados, especialmente em áreas pobres e com pouca presença do Estado.