Quase 39 anos depois, local ligado à tragédia do Césio-137 ainda desperta curiosidade em Goiânia

 Equipe do Conectar Tudo Notícias esteve no endereço e ouviu uma moradora sobre a movimentação de visitantes e as mudanças no local

Redação  CTN - 23/08/2026 | 21:03

Imagem: Marciel Fortunato, CTN


Quase quatro décadas depois do acidente com o Césio-137, um local ligado à história da maior tragédia radiológica já registrada em Goiânia ainda chama a atenção de quem passa pela região.

A equipe do Conectar Tudo Notícias esteve no endereço onde, segundo registros históricos, ficava a residência de Wagner Mota Pereira, um dos catadores de materiais recicláveis envolvidos no início da cadeia de acontecimentos que levou à contaminação por Césio-137 em 1987.

Durante a visita, a equipe registrou imagens do local e conversou com uma moradora da região. Segundo ela, o endereço passou a receber a presença de pessoas interessadas em conhecer pontos relacionados à tragédia, especialmente após o aumento da repercussão do caso por meio de produções audiovisuais.

A moradora também relatou que algumas pessoas chegaram a jogar lixo no terreno durante o período de maior movimentação.

Diante da situação, segundo o relato, vasos de plantas resistentes foram colocados à frente do terreno onde ficava a antiga residência atribuída a Wagner, ajudando também a dificultar o acesso direto à área.

Imagem: Marciel Fortunato, CTN

O que aconteceu naquele endereço?

É importante fazer uma distinção histórica: a cápsula de Césio-137 não foi encontrada na casa de Wagner.

De acordo com registros oficiais, em 13 de setembro de 1987, Wagner Mota Pereira e Roberto Santos Alves retiraram parte de um aparelho de radioterapia abandonado nas ruínas do antigo Instituto Goiano de Radioterapia (IGR). Os dois trabalhavam com materiais recicláveis e pretendiam vender o equipamento como sucata.

Após retirarem o equipamento, a peça foi levada para a residência de Roberto Santos Alves, na Rua 57, onde o lacre da cápsula foi removido. Dentro dela havia cloreto de césio-137, um material radioativo que apresentava um intenso brilho azulado no escuro.

A partir daí, o material passou por diferentes mãos e acabou chegando a um ferro-velho pertencente a Devair Alves Ferreira. O brilho azul despertou a curiosidade de pessoas que tiveram contato com o material, contribuindo para a disseminação da contaminação.

Uma tragédia que mudou Goiânia

O acidente foi descoberto somente semanas depois, quando pessoas que tiveram contato com o material começaram a apresentar sintomas de exposição à radiação.

A identificação do Césio-137 desencadeou uma grande operação de emergência em Goiânia, envolvendo equipes de saúde, técnicos e especialistas em radioproteção.

O acidente foi classificado pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) como nível 5, em uma escala internacional que vai de 1 a 7. O episódio ficou conhecido mundialmente e deixou marcas profundas na história de Goiás.

Quatro pessoas morreram diretamente em decorrência da exposição ao material radioativo, entre elas Leide das Neves Ferreira, que tinha apenas seis anos de idade.

Imagem: Marciel Fortunato, CTN

A memória permanece

Hoje, o cenário encontrado pela equipe é muito diferente daquele de 1987. O endereço já não apresenta a mesma configuração da época do acidente, mas a história permanece associada àquele espaço.

Para moradores antigos, o local representa parte de uma lembrança dolorosa da cidade. Para visitantes que chegam décadas depois, o endereço desperta curiosidade sobre como uma sequência de acontecimentos aparentemente comuns acabou provocando um dos maiores acidentes radiológicos da história.

A visita realizada pelo Conectar Tudo Notícias buscou registrar não apenas o espaço físico, mas também a relação entre o local e a memória da tragédia que marcou Goiânia.

As imagens e o depoimento apresentados nesta reportagem foram produzidos pela equipe do Conectar Tudo Notícias durante visita ao local.