PF aponta menções a Fábio Luís Lula da Silva em investigação sobre contratos públicos
Relatório enviado ao STF cita supostos pagamentos e participação em negociações; defesas negam irregularidades
A Polícia Federal (PF) afirmou, em relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), que Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, é citado como “destinatário de pagamentos e benefícios” em conversas entre a lobista Roberta Luchsinger e o empresário Cleber Ribas.
As informações fazem parte de um inquérito que apura uma possível atuação de Lulinha na intermediação de contratos para a empresa 3Structure It LTDA, de Ribas, junto à Dataprev, empresa pública responsável por serviços de tecnologia e processamento de dados.
Segundo a PF, mensagens encontradas durante a quebra do sigilo telemático de Luchsinger indicariam pedidos de pagamentos a Ribas que teriam como finalidade custear despesas de Lulinha.
No relatório, a corporação afirma que Fábio aparece associado a reuniões de interesse empresarial, é mencionado como possível destinatário de pagamentos e benefícios e teria participado de discussões relacionadas aos negócios investigados. A PF afirma que os elementos reunidos justificam o aprofundamento das investigações para esclarecer eventual participação, responsabilidade e possível vantagem obtida.
Em uma das conversas, de junho de 2023, Luchsinger relata ao empresário que teria realizado contatos com diferentes órgãos públicos e afirma: “Mas eu envolvi o palácio”. A mensagem é apontada pela investigação como parte das tratativas envolvendo possíveis oportunidades de negócios.
A defesa de Cleber Ribas nega irregularidades e afirma que ele não possui e nunca possuiu contrato com a Dataprev, além de negar relação comercial com Lulinha. Segundo os advogados, Luchsinger teria sido contratada para prestar serviços de assessoria na captação de clientes e identificação de oportunidades de negócios no setor de tecnologia.
A defesa também criticou a divulgação de trechos das conversas, argumentando que as mensagens estariam sendo apresentadas de forma fragmentada e sem o contexto completo da investigação.
O advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, afirmou que ele não cometeu nenhuma irregularidade e classificou os vazamentos como “seletivos e criminosos”. A defesa também acusou setores da oposição de tentar instrumentalizar a Polícia Federal por interesses eleitorais.
Até o momento, o relatório da PF trata os elementos como indícios que ainda precisam ser esclarecidos, e a investigação continua em andamento.
