Enchentes e deslizamento deixam mais de 160 mortos e centenas de desaparecidos entre Nepal e China
Desastre atingiu áreas próximas à fronteira, destruiu pontes e construções e mobilizou equipes de resgate; número de vítimas pode aumentar
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| 2026 Planet Labs PBC/Reprodução |
Enchentes repentinas no Nepal e um grande deslizamento de terra na região do Tibete, na China, provocaram uma onda de destruição na região de fronteira entre os dois países. Pelo menos 157 pessoas morreram no Nepal e outras três mortes foram confirmadas pelas autoridades chinesas nesta quarta-feira (26).
O número de vítimas ainda pode aumentar, já que equipes de emergência continuam procurando desaparecidos e avaliando os danos provocados pelas águas.
Entre os desaparecidos estão pelo menos 384 viajantes na região, incluindo 105 indianos, 93 nepaleses, três cidadãos dos Estados Unidos e 12 britânicos. Cerca de oito sul-coreanos também foram apontados como desaparecidos. Segundo autoridades italianas, 90 italianos estão desaparecidos na região.
Além disso, aproximadamente 60 funcionários de uma usina hidrelétrica em construção no norte do Nepal também estão desaparecidos, segundo informações da imprensa estatal nepalesa.
Deslizamento provocou enorme onda de água
O desastre teve início após um grande deslizamento de terra na região do Tibete. Inicialmente, o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) registrou o fenômeno como um terremoto de magnitude 4,4 na região próxima à fronteira entre Nepal e China.
Posteriormente, o órgão esclareceu que não se tratava de um terremoto convencional. O tremor foi provocado pelo próprio deslizamento, que teve intensidade equivalente à de um terremoto de magnitude 5,2.
A hipótese é de que uma grande massa de gelo e rochas tenha se desprendido de uma área montanhosa e atingido o rio Lhende Khola, afluente do Bhote Koshi, que segue da China em direção ao Nepal.
Pesquisadores acreditam que o deslizamento tenha ocorrido ao mesmo tempo em que parte de uma geleira se rompeu. A combinação de gelo, rochas e sedimentos, agravada pelo solo encharcado durante o período de monções, teria formado uma enorme massa de água e detritos que desceu rapidamente pelas montanhas.
Destruição atingiu cidades e passagem de fronteira
Imagens divulgadas após o desastre mostram a força das águas e a extensão da destruição.
Uma importante passagem terrestre entre a China e o Nepal foi atingida em poucos minutos. Estruturas foram destruídas e áreas próximas aos rios ficaram completamente tomadas pela água e pelos detritos.
Em Bidur, cidade localizada a cerca de 50 quilômetros a noroeste de Katmandu, as enchentes romperam as margens de um rio, provocaram o desabamento de prédios e destruíram uma ponte.
Resgates enfrentam dificuldades
As operações de resgate continuam, mas as equipes enfrentam dificuldades para chegar às áreas atingidas. Helicópteros têm encontrado obstáculos para pousar devido ao nível elevado das águas.
O Exército do Nepal utiliza aeronaves para retirar moradores de áreas isoladas. Imagens divulgadas pela corporação mostram helicópteros sobrevoando regiões alagadas enquanto pessoas são retiradas de locais atingidos.
Na China, diferentes órgãos também foram mobilizados para atuar na resposta ao desastre no Tibete. A alta cúpula do governo chinês determinou ações emergenciais diante da gravidade da situação.
As autoridades dos dois países continuam trabalhando na localização dos desaparecidos e na avaliação dos prejuízos provocados pelas enchentes e pelo deslizamento.
