Conflito entre Israel, EUA e Irã se intensifica e se espalha pelo Oriente Médio após morte de líder iraniano
Escalada militar envolve ataques aéreos, lançamento de mísseis, dezenas de mortes e impacto direto em países do Golfo; voos são cancelados e governos emitem alertas de viagem
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| Getty Images |
Uma guerra envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã entrou no quarto dia nesta terça-feira (3/3), ampliando a instabilidade no Oriente Médio. O conflito teve início no sábado (28/2), após a morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, durante uma ofensiva aérea de grande escala conduzida por forças israelenses e americanas contra a liderança política e militar do país.
Segundo as Forças de Defesa de Israel, novos ataques foram lançados pouco antes das 8h no horário local, atingindo subúrbios do sul de Beirute, no Líbano, e áreas estratégicas em Teerã, capital iraniana. Israel afirma que os alvos são estruturas militares e instalações ligadas ao regime iraniano. Em comunicado, o governo israelense informou ter atingido o Gabinete Presidencial e o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã.
O ministro da Defesa de Israel declarou que novas áreas estratégicas no sul do Líbano foram autorizadas para ocupação com o objetivo de impedir ataques contra comunidades israelenses na fronteira. O principal alvo no território libanês é o grupo Hezbollah, aliado do governo iraniano.
De acordo com o Crescente Vermelho do Irã, cerca de 787 pessoas morreram desde o início dos ataques. O Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos informou que suas defesas aéreas interceptaram 172 mísseis disparados pelo Irã contra a região.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nas redes sociais que a defesa aérea e a liderança iraniana foram neutralizadas e afirmou que o objetivo da ofensiva é impedir que o Irã obtenha armas nucleares. A operação foi apelidada por Washington de “Operação Fúria Épica”. Já o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que a ação busca eliminar o que chamou de “ameaça existencial” representada pelo regime iraniano.
Em resposta, o Irã lançou mísseis balísticos e drones contra Israel e contra países do Golfo que abrigam bases militares americanas, como Catar, Bahrein, Jordânia, Kuwait e Arábia Saudita. Um drone atingiu a base britânica de Akrotiri, no Chipre, sem registro de vítimas.
O Hezbollah também abriu uma nova frente de combate ao atacar Israel a partir do sul do Líbano. Autoridades libanesas relataram dezenas de mortos e feridos, enquanto Israel pediu a evacuação de moradores de cerca de 50 vilarejos fronteiriços.
O conflito também gerou tensões diplomáticas. O Reino Unido inicialmente não autorizou o uso de suas bases para a primeira onda de ataques, mas posteriormente liberou apoio para ações classificadas como defensivas. O premiê britânico, Keir Starmer, afirmou que o país não apoia mudança de regime por meio de ataques aéreos, evidenciando divergências com Washington.
Além do impacto militar, a guerra já provoca forte repercussão no setor aéreo. Companhias internacionais suspenderam voos para cidades como Tel Aviv, Beirute, Amã, Dubai e Teerã. Países como Iraque e Jordânia fecharam seu espaço aéreo, enquanto os Emirados Árabes Unidos anunciaram restrições temporárias.
O governo brasileiro, por meio do Itamaraty, recomendou que cidadãos evitem viagens para Irã, Israel, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Jordânia, Iraque, Líbano, Palestina e Síria.
Enquanto os combates continuam, o Irã enfrenta ainda o desafio de escolher um novo Líder Supremo. A Constituição do país determina que a escolha seja feita pela Assembleia de Peritos, composta por 88 clérigos eleitos, mas a instabilidade e os ataques em curso podem dificultar o processo.
O cenário permanece volátil, com risco de ampliação do conflito para outras áreas estratégicas do Oriente Médio e impactos globais nas áreas diplomática, econômica e de segurança internacional.
