Brasileira fica retida em cruzeiro em Dubai após cancelamento por conflito no Oriente Médio

 Mais de 3 mil passageiros aguardam orientações enquanto portos e aeroportos enfrentam restrições

Da Redação - 02/03/2026 | 15:00

 Reprodução/Arquivo pessoal


A empresária mineira Ana Paula de Oliveira Graciani, de 38 anos, está retida desde sábado (28) no Porto Rashid, próximo às Ilhas Deira, em Dubai, após o cancelamento de um cruzeiro devido à escalada do conflito no Oriente Médio. Ela viaja com o marido e o filho e relata incerteza sobre o retorno ao Brasil.

Segundo a empresária, que atua no ramo da moda, o comandante do navio informou a mudança de planos antes mesmo do embarque completo, por razões de segurança. O roteiro previa três dias de viagem por Dubai com paradas em Doha, Bahrein e Abu Dhabi.

Desde o início da crise, os passageiros foram orientados a permanecer a bordo.

“Desde sábado, o comandante sugeriu que não saíssemos do navio por segurança. Caso resolvamos sair, a responsabilidade é nossa”, afirmou.

Ao menos 3 mil passageiros enfrentam a mesma situação de incerteza.

A reportagem buscou posicionamento da empresa responsável pelo cruzeiro sobre as medidas adotadas para assistência aos viajantes.

RELATOS DE EXPLOSÕES E ALERTAS

Ana Paula relatou ter ouvido barulhos no dia em que o conflito começou. Os Estados Unidos lançaram ataques contra alvos iranianos na madrugada de sábado, e explosões foram registradas em regiões do Golfo ao longo do dia.

Ela afirmou ter recebido notificações do governo local alertando sobre a possível chegada de mísseis à cidade. Imagens registradas no domingo mostram fumaça no céu em áreas próximas.

Na tarde desta segunda-feira (2), no horário local, os passageiros foram informados de que as embaixadas de cada país serão comunicadas pela administração do navio para organizar eventual resgate.

“Estamos incertos por não saber quando vamos poder voltar para o Brasil, porque os portos e aeroportos estão fechados”, relatou.

O Aeroporto Internacional de Dubai sofreu danos leves após ataques, e quatro pessoas ficaram feridas.

Até o momento, 24 voos com origem ou destino ao Oriente Médio e ao Brasil foram cancelados. As companhias Qatar Airways e Emirates Airlines, responsáveis por grande parte das rotas entre as regiões, suspenderam temporariamente as operações.

A Embaixada do Brasil nos Emirados Árabes Unidos foi procurada sobre eventual apoio aos brasileiros, mas ainda não havia se manifestado.

CONFLITO NO ORIENTE MÉDIO: O QUE SE SABE

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou no sábado o início de “grandes operações de combate” contra o Irã, afirmando que o objetivo é neutralizar suas forças militares e o programa nuclear.

Israel confirmou participação nos ataques.

Em resposta, o Irã lançou ofensivas contra bases militares americanas em países do Golfo, incluindo Emirados Árabes Unidos, Catar e Bahrein.

A escalada ocorreu horas após uma rodada de negociações entre autoridades dos países envolvidos. Washington justificou a ação como necessária para proteger sua segurança diante do programa de mísseis balísticos iranianos.

A capital iraniana, Teerã, também foi atingida. Veículos da imprensa local relatam a morte do líder supremo iraniano, informação ainda cercada de repercussão internacional. Segundo dados divulgados por autoridades iranianas, mais de 200 pessoas morreram desde o início dos ataques.

A crise continua afetando o transporte aéreo, rotas marítimas e a segurança na região, enquanto passageiros estrangeiros aguardam orientação para retorno seguro a seus países de origem.