Prefeitura de Coronel Sapucaia afasta servidores investigados por fraudes em licitações
Medida atende decisão judicial após operação do Gaeco que apura corrupção, peculato e irregularidades em contratos públicos
A Prefeitura de Coronel Sapucaia, município localizado a 381 quilômetros de Campo Grande, determinou o afastamento de três servidores públicos investigados em operação do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). A medida foi oficializada por meio da Portaria nº 108/2026, publicada no Diário da Assomasul nesta segunda-feira (13) e assinada pela prefeita Niagara Kraievski (PP).
De acordo com o documento, o afastamento cumpre decisão do Poder Judiciário de Mato Grosso do Sul, que determinou a suspensão do exercício das funções dos servidores. Entre os envolvidos, um ocupa cargo comissionado e dois são servidores efetivos. A portaria destaca que o afastamento não configura penalidade administrativa, mas sim uma medida decorrente de ordem judicial, válida enquanto durar a determinação.
Além da suspensão das atividades, a prefeitura adotou uma série de providências administrativas, incluindo o bloqueio de acesso aos sistemas institucionais, suspensão de credenciais e logins, cancelamento de certificados digitais e assinaturas eletrônicas, além do registro formal do afastamento funcional.
A decisão ocorre no contexto da Operação Mão Dupla, deflagrada pelo Gaeco em 31 de março de 2026, como desdobramento da Operação Pretense. A ação investiga um esquema envolvendo fraudes em licitações e contratos públicos, com indícios de crimes como peculato, corrupção passiva e pagamentos irregulares.
Durante a operação, foram cumpridos 23 mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares que incluem proibição de acesso à prefeitura, restrição de contato entre investigados e uso de monitoramento eletrônico. As ações ocorreram em Coronel Sapucaia, Amambai, Ponta Porã e Caarapó.
As investigações apontam a participação de agentes políticos, secretários, servidores e empresários em um suposto esquema de favorecimento em contratos públicos. Segundo o Gaeco, uma das empresas investigadas, alvo de contratos para obras no hospital municipal, não possuía sede, patrimônio ou funcionários.
O nome da operação, “Mão Dupla”, faz referência a um suposto bordão utilizado nas negociações irregulares: “Você me ajuda que eu te ajudo”.
Em nota, a Prefeitura de Coronel Sapucaia informou que os fatos investigados estão relacionados à gestão anterior e reforçou que está colaborando com as autoridades competentes.