Ex-prefeito Rudi Paetzold e filha são alvos de operação do Gaeco em Coronel Sapucaia

 Investigação aponta esquema de fraude em licitações, corrupção e desvio de recursos públicos

Da Redação - 01/04/2026 | 12:09

Foto: Luiz Carlos Júnior

O ex-prefeito de Coronel Sapucaia (MS), Rudi Paetzold, a filha dele, Adriane Paetzold, e outros 11 investigados foram alvos de uma operação do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado nesta terça-feira 31. O grupo é suspeito de envolvimento em um esquema de fraude em licitações e contratos públicos.

A ação, conduzida pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul com autorização do Tribunal de Justiça, resultou no cumprimento de 23 mandados de busca e apreensão. Também foram aplicadas 13 medidas cautelares, incluindo proibição de acesso à administração municipal, impedimento de contato entre investigados e uso de tornozeleira eletrônica.

A Justiça ainda determinou dois mandados de busca pessoal e o afastamento de dois investigados de suas funções públicas.

Além de Rudi Paetzold e Adriane, também foram alvo das medidas nomes como Adriel Celant Espindola, José Rosan Espindola, Alan Douglas Maciel, Kariony Celant Espíndola, André de Assis Voginski, Aparecida Janaina Lima Cavalcante, Celso Ricardo Maciel Ferreira, Gislene Aparecida Micuinha Farias, Jonathan Cavalheri, Karin Zarate Araújo e Willian dos Santos Barbosa.

As diligências ocorreram em Coronel Sapucaia, Amambai, Ponta Porã e Caarapó. Em Ponta Porã, equipes do Gaeco e do Batalhão de Operações Policiais Especiais atuaram em um dos endereços investigados. Imagens divulgadas mostram dinheiro em espécie apreendido durante a operação.

Segundo o MPMS, há indícios de crimes como fraude em processos licitatórios, peculato, corrupção passiva e pagamentos irregulares em contratos públicos, envolvendo agentes políticos, secretários e servidores municipais.

A operação foi batizada de “Mão Dupla”, em referência a um bordão que, segundo os investigadores, era utilizado nas negociações ilegais: “Você me ajuda, que eu te ajudo”.

A atual prefeita Niágara Kraievski afirmou que a investigação não tem relação com a gestão atual e que os fatos apurados se referem ao período de 2024, quando a administração municipal era comandada pela gestão anterior.

A primeira fase da Operação Pretense ocorreu em dezembro de 2024 e já havia identificado irregularidades envolvendo empresas de um mesmo grupo familiar. Na ocasião, foi apontado que contratos firmados entre 2020 e 2024 somaram cerca de 27,6 milhões de reais, sendo mais de 20 milhões apenas com uma construtora responsável por obra hospitalar.

De acordo com o Ministério Público, a empresa não possuía estrutura operacional compatível com os valores recebidos, além de apresentar indícios de uso de materiais reaproveitados e execução de serviços de baixa qualidade.

O caso segue em investigação e pode ter novos desdobramentos.