Estudante que confessou matar e mutilar a própria mãe recebe liberdade provisória em SP e caso levanta indignação
Decisão judicial que liberou estudante, mesmo após confissão e evidências, gera indignação e expõe falhas na investigação e no sistema de custódia em São Paulo.
A Justiça de São Paulo concedeu liberdade provisória a Maurício Roschel Gonçalves Garcia, 28 anos, estudante de Direito, mesmo após ele confessar ter matado e mutilado a própria mãe, Eliana Augusta Roschel Gonçalves, 61, professora aposentada. O crime, ocorrido em novembro de 2025, chocou familiares, vizinhos e reacendeu debates sobre falhas no sistema de custódia, investigações e decisões judiciais.
O corpo carbonizado de Eliana foi encontrado em 12 de novembro, na Estrada Evangelista de Souza, zona sul da capital. Com as pernas amputadas e o dedo indicador da mão esquerda cortado, o caso inicialmente foi registrado como homicídio de identidade desconhecida. Oito dias depois, em 20 de novembro, Maurício foi preso em flagrante ao roubar um posto de combustíveis em Parelheiros, dirigindo o Onix branco da mãe. Reconhecido pelos funcionários após ordenar “passem o dinheiro”, ele foi detido.
Na Delegacia de Polícia 101, no Jardim das Imbuias, Maurício confessou o assassinato. Alegou que, sob efeito de drogas, discutiu com a mãe, a empurrou e a viu cair, batendo a cabeça em um degrau próximo ao banheiro. Disse ter saído e, ao voltar, encontrado Eliana morta no sofá. Para encobrir o crime, afirmou que cobriu o corpo com um lençol, o colocou no carro, levou até a estrada e ateou fogo. O estudante admitiu ainda ter usado o celular da vítima por dez dias para despistar buscas, circulando pela região.
Apesar das evidências — confissão, posse do carro e do celular da mãe, e manchas de sangue encontradas na casa após alerta de familiares — o flagrante acabou registrado somente pelo roubo, sem imediata relação com o homicídio. Na audiência de custódia, Maurício foi liberado. Apenas dois dias depois, após a confirmação oficial de que o corpo era de Eliana, foi solicitada a prisão temporária por homicídio qualificado, posteriormente decretada.
O estudante foi novamente detido após ligar para se entregar. Familiares relataram que ele já havia agredido a mãe anos antes, embora não houvesse registro formal. O caso segue em investigação, incluindo a motivação, o possível uso de drogas e a origem das mutilações. O Ministério Público acompanha o processo, que tramita na 1ª Vara do Júri de Santo Amaro, enquanto cresce o questionamento público sobre a concessão inicial da liberdade provisória em um crime tão grave e brutal.
Fonte: MIDIA NINJA
